Wagner Reis — Medicina Paliativa
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PALIATIVO BASEADO EM EVIDÊNCIAS

Cuidados paliativos em neuro-oncologia: o que muda na prescrição?

Setembro de 2026

Clube de revista · Continuum, 2025

Clube de revista sobre crises convulsivas, edema cerebral, fadiga e cognição em neuro-oncologia, com foco em decisões de prescrição e limites da evidência.

Ilustração editorial de um cérebro e conexões em tons de azul.

Clube de revista

Walbert T. Palliative Care in Neuro-oncology. Continuum. 2025;31(6):1657–1674. Acessar o artigo.

Tipo de publicação: revisão narrativa sobre sintomas e cuidados paliativos em pacientes com tumores cerebrais primários e metástases cerebrais.


Quatro símbolos ilustram os temas da leitura: crises convulsivas, edema cerebral, fadiga e cognição.

Condutas que merecem atenção

Crises convulsivas

Não iniciar anticonvulsivante rotineiramente em quem nunca teve uma crise. Após uma crise, o levetiracetam é uma escolha frequente pela rápida titulação e pelo baixo potencial de interação com tratamentos oncológicos. É preciso observar irritabilidade e piora do humor. Se as crises não estiverem controladas, lacosamida ou perampanel podem ser considerados como adjuvantes. O autor também cita o brivaracetam quando há efeitos comportamentais com levetiracetam. No Brasil, há registro sanitário do fármaco; a disponibilidade da apresentação deve ser conferida localmente.

Em pacientes que já apresentam epilepsia, a perda da via oral exige planejamento. Manter o controle das crises pode requerer outra formulação e uma medicação de resgate definida conforme o protocolo local.

Edema cerebral sintomático

A dexametasona pode aliviar cefaleia e déficits neurológicos associados ao edema. A resposta, a necessidade de continuidade e os efeitos adversos devem ser reavaliados. Para metástases cerebrais com sintomas leves, uma diretriz citada como complemento à revisão sugere início com 4 a 8 mg/dia; a dose não deve ser extrapolada para todos os pacientes com tumor cerebral.

Em casos selecionados de pseudoprogressão ou necrose actínica sintomática, especialmente quando não é possível reduzir o corticoide, o artigo discute bevacizumabe após avaliação especializada.

Fadiga

Estudos com modafinil, armodafinil e dexanfetamina não demonstraram benefício consistente. Antes de considerar um estimulante, vale revisar sono, humor, medicamentos e outras causas clínicas potencialmente modificáveis. Seu uso rotineiro não é sustentado pela evidência apresentada.

Cognição

A donepezila não mostrou benefício global suficiente para uso rotineiro. A memantina tem uma aplicação específica na prevenção de declínio cognitivo em pacientes elegíveis para radioterapia de todo o cérebro por metástases cerebrais, em conjunto com o planejamento da radioterapia. Não é um tratamento geral para queixas de memória em pacientes com glioma.

Leitura crítica

A revisão organiza decisões úteis. Sua principal contribuição é trazer sintomas neurológicos, capacidade de decisão e planejamento do cuidado para mais perto da consulta habitual, enquanto o paciente ainda pode participar das escolhas.

Para aprofundar: diretriz SNO/EANO sobre anticonvulsivantes preventivos; revisão Cochrane sobre fadiga; diretriz sobre corticoides em metástases cerebrais.

Sobre esta leitura

Este texto é uma leitura comentada para profissionais de saúde. Não constitui uma prescrição para casos individuais nem substitui a avaliação clínica. As condutas devem ser examinadas criticamente à luz do artigo original, das diretrizes vigentes e do contexto de cada pessoa.